Tributo a Jacó, o maior vaqueiro do Nordeste e primo do Rei do Baião LUIZ GONZAGA

Todo ano, no terceiro domingo de julho, na cidade pernambucana de Serrita, na Fazenda Lajes, é realizada a Missa do Vaqueiro, com participação de vaqueiros de várias regiões do Brasil. O evento religioso foi criado no ano de 1971 pelo "Rei do Baião" Luís Gonzaga e pelo Padre João Câncio para render homenagem ao mais famoso e talentoso vaqueiro do país, o senhor Raimundo Jacó Mendes.               Raimundo Jacó é um ícone do Sertão Nordestino. Nasceu no município de Exu, Pernambuco, em 16 de julho de 1912, primo legítimo de Luiz Gonzaga. Sua maestria e coragem no trato com o gado lhe valeram a fama de maior vaqueiro da história, sendo respeitado e constantemente requisitado pelos fazendeiros para recolher reses perdidas.
           Conta a história que no dia 8 de julho de 1954, a mando de um fazendeiro, ele e o vaqueiro Miguel Lopes saíram à busca de uma rês desaparecida. No fim do dia, voltou sozinho o Miguel, sem dar notícia sobre o companheiro de trabalho e sobre o paradeiro da rês. Os outros vaqueiros, preocupados, saíram bem cedinho no dia seguinte à procura do admirado companheiro. No meio da caatinga encontraram-no morto, ensanguentado como a pedra inerte ao seu lado. Ali perto, a rês desaparecida amarrada e o seu fiel cachorro protegendo-o, latindo e espantando os urubus. Uma tragédia para toda a região!
           O suspeito Miguel Lopes foi processado, mas por falta de provas foi inocentado e libertado. O crime ficou sem solução e acabou caindo no esquecimento. Mas daí em diante o bravo vaqueiro realmente virou lenda no Nordeste. O primo Luiz Gonzaga, indignado, gravou a música "A Morte do Vaqueiro" e, ao lado do Padre João Câncio, criou uma solenidade para protestar contra a morte de Raimundo Jacó, que acabou se transformando em um grande evento anual chamado de "Missa do Vaqueiro". No início era apenas uma reunião de fé do povo da região, hoje o evento conta com uma grande estrutura que recebe muitos turistas, atraídos pela Missa, pela vaquejada, pelas pegas de boi e apresentações culturais, dentre outras atividades.
           A história de Raimundo Jacó é a história de muitos e muitos brasileiros, dignos trabalhadores espalhados pelos quatro cantos do país que lutam bravamente pela sobrevivência, em situações de abandono do estado e massacre econômico das classes dominantes. Eles, os valorosos vaqueiros, só tiveram a profissão reconhecida e regulamentada no dia 15 de outubro de 2013, quando o Governo Federal sancionou a Lei 12.870. Um absurdo imenso que finalmente fez jus a esses personagens fascinantes e guerreiros do nosso Sertão.

By: Viajando na História - Iara Oliveira e Vini Santos
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