História de Karina: Internacional da pessoa com deficiência

dia Internacional da Pessoa com Deficiência.

 vim compartilhar com vocês um pouco da minha história, pra vocês me conhecerem um pouco mais.
Me chamo Karina Vargem, sou cadeirante há + ou - 15 anos por consequência da Artrite Reumatoide, uma patologia que tem como causa característica a inflamação articular. Os primeiros sintomas surgiram aos 19 anos de idade. Tinha um quadro insistente de febre alta, tive uma alergia no corpo e fui carregada para o Hospital. Fiquei internada por 2 meses para saber o que eu tinha, porém recebi alta com outro diagnóstico, de Lúpus. Voltei pra casa bem, andando. Continuei a trabalhar, a fazer dança, voltei minha vida normal mesmo com o tratamento. Porém, após uns 2 anos os sintomas voltaram e já estava num estágio alto de inflamação. Após a consulta à um outro médico e realização de novos exames, descubri que na verdade eu tinha Artrite Reumatoide. Esse diagnóstico tardio me levou a usar cadeira de rodas- logo depois. Não perdi o movimento das pernas, porém com a artrite perdi um pouco de força muscular e consequentemente tive algumas atrofias nas articulações. Porém, desde então decidi desafiar todos os obstáculos e romper os meus limites a cada dia.
No começo sofri muito mais com as dores. Hoje com os medicamentos e outros tratamentos, as dores estão mais amenas.

Sabe aquela história de que estar numa cadeira de rodas é o fim? Pois bem! Eu não penso assim. Quando me vi numa cadeira de rodas por conta da artrite reumatoide que fui acometida, eu disse: Ok, vamos lá! Sei que não iria ser fácil, mas resolvi encarar esta minha nova realidade de frente. Não fiquei me queixando o "porquê" comigo. A cadeira de rodas me possibilitou a avançar nos meus objetivos. Foi numa cadeira de rodas que fiz meus quatro anos de faculdade. Sou formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda. Foi um esforço danado, mas os meus pais abraçaram comigo este meu sonho e me acompanharam durante o período da facul. Claro que eu tive inúmeros obstáculos, mas jamais deixei ser vencida por elas. Apesar de todos os desafios que tive, pra mim foi ótima todas as experiências que vivi, pois me senti ativa e produtiva, e fiz amizades, que mantive até hoje.

Foi no período da faculdade que conheci a dança em cadeira de rodas, através de uma amiga. Ela me falou do Solidariedança que tem um trabalho maravilhoso de dança e inclusão para pessoa com deficiência. Eu sempre dancei, mas na cadeira de rodas não imaginava mais esta possibilidade. Então entrei no Solidariedança para ter uma atividade física e continuar a fazer o que eu sempre amei: dançar. É bem diferente, tive que readaptar nas minhas condições. Sei que nem sempre os movimentos serão perfeitos, mas dançar é maravilhoso. Lá, além de ajudar na minha reabilitação a dança me ajudou a conhecer mais a minha cadeira e a ter uma relação mais íntima com ela.
Eu danço. Eu me liberto. Eu me entrego. Eu amo dançar! Já que não dá pra dar piruetas, eu giro sobre rodas mesmo...rs.
Dançar é viver. E danço na cadeira de rodas feliz e com muita alma. Neste grupo de Dança em cadeira de rodas, tive muitas realizações e muitas coisas maravilhosas aconteceram na minha vida. Todo ano realizamos espetáculos, este ano foi o meu 13° espetáculo, também fazemos algumas outras apresentações durante o ano e já participamos em programas de TV. Tudo isso é maravilhoso na divulgação de um trabalho sério de inclusão através da dança e da arte, mostrando que todos nós podemos romper os nossos limites.

Além da dança como reabilitação e hobby,  fiz sessões de massoterapia e acupuntura, como um tratamento alternativo para aliviar a dor e ter mais flexibilidade.

Ah, são tantas coisas bacanas que já vivi mesmo estando na cadeira de rodas. Já tive a oportunidade de participar num desfile de moda, era para uma campanha de Câncer. Foi uma experiência inesquecível. Também já desfilei no Carnaval. Fui madrinha de casamento da minha irmã e de uma grande amiga. Que honra!

Quem me vê falando assim, até parece que estar numa cadeira de rodas é a melhor coisa do mundo. É claro que não é. Todos nós sabemos o quanto não é fácil a nossa rotina. Tenho que adaptar a toda hora, principalmente nas questões de acessibilidade, desde aonde eu moro quanto aos lugares que eu vou.

Mas eu sempre vejo o lado bom das coisas, não procuro pensar no problema, mas se esta é hoje a minha realidade, nada melhor que encarar de frente e tudo se torna bem mais fácil. Acredite!

Hoje eu trabalho em casa, faço trabalhos artesanais, de comunicação e conteúdo digital, e também faço Palestras. Tenho alguns projetos com comunicação inclusiva em mente.  Sempre estou estudando e buscando conhecimentos. Sou idealizadora do "Além dos Limites da Deficiência" pois acredito que podemos ter uma nova visão sobre as coisas e sobre a vida, além da nossa "deficiência", pois todos nós temos um potencial ilimitado.

Gente, eu amo viver, aproveitar a vida ao lado das pessoas que eu amo. Eu tenho muitos sonhos, tenho muitos objetivos de vida e vou atrás para realizá-los. Quando tiver que ir devagar, eu vou no meu tempo, mas não perco o foco.

Agradeço por praticar o Budismo e compreender que a verdadeira felicidade deve ser extraída de dentro de nós. Eu decidi ser feliz independente da situação. Agradeço a maravilhosa família que tenho que sempre me apoia e participam das "minhas loucuras". Agradeço pelas pessoas especiais que amo e fazem parte da minha vida. Eu tenho uma vida normal, na medida do "possível" rsrs, vou adaptando conforme for. As adversidades fazem parte da vida de qualquer pessoa. Mas claro que eu não fecho os olhos diante de tantas barreiras que nós pessoas com deficiência encontramos por aí. Mas a gente vai seguindo e lutando pelo nosso espaço também.

Nas batalhas da vida vou vencendo cada uma. Determinação, disposição e alegria são minhas grandes aliadas. Desistir nunca esteve nos meus planos.
Agora eu digo. Vou ficar me lamentando por estar numa cadeira de rodas? Não. Ela é minha parceira. Se é pra ir, ela vem comigo rsrs. Eu quero é viver! Vou andando sobre rodas e conquistando os meus sonhos.

Deixo como mensagem: Acredite em você! Acredite no seu potencial. Você pode realizar muito mais do que você imagina. Basta se permitir. Ir atrás dos seus sonhos e não ter medo de ser feliz.
Um grande abraço a todos!

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Meu perfil @karinavargem



pracegover eu Karina, sou negra, uso trancinhas afro e estou com os cabelos amarrados, estou na minha cadeira de rodas, de blusinha branca e calça preta. Estou sorrindo e com uma mão na cintura e a outra na roda. Ao fundo uma grade verde e uma paisagem de árvores e folhagens. É um espaço externa de um teatro.
Na imagem está escrito Minha História.

Site Revista do Luiz

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